Editorial de maio: A cultura de São José também é sua voz
Ampliamos espaços colaborativos e convidamos o público a participar da cena cultural local.
Abril foi um mês movimentado para a cultura em São José dos Campos. Entre festas populares, debates sobre patrimônio, ocupação dos espaços públicos e discussões sobre políticas culturais, diferentes acontecimentos ajudaram a desenhar o cenário cultural da cidade nas últimas semanas.
Logo no início do mês, a tradicional Festa do Mineiro voltou a movimentar o Parque da Cidade com programação musical, missa sertaneja, roda de viola e culinária típica, reafirmando seu papel como um dos eventos populares mais consolidados do calendário joseense. A programação foi destaque no portal G1 Vale do Paraíba.
Ainda em abril, o Parque Vicentina Aranha comemorou 102 anos de existência. O espaço, que hoje se tornou um dos principais pontos de convivência e programação cultural da cidade, segue reunindo atividades artísticas, feiras e eventos voltados ao público diverso, como mostrou reportagem da TV Vanguarda. Nossa equipe também acompanhou a programação de aniversário do parque e esteve presente no show de Céu, registrando alguns momentos da apresentação nas fotos que você pode conferir abaixo.

Na mesma semana, a Prefeitura de São José dos Campos divulgou novas imagens da restauração da Residência Olivo Gomes, futura sede do Museu da Casa Brasileira no município. A recuperação do espaço reacendeu discussões sobre preservação patrimonial, memória urbana e os usos culturais dos equipamentos históricos da cidade, em reportagem publicada pelo SP Rio+.
Já no fim do mês, a Câmara Municipal anunciou debates sobre a possível concessão do Parque da Cidade à iniciativa privada. A discussão, noticiada pelo jornal OVALE, mobilizou questionamentos sobre acesso público, preservação ambiental e os impactos da gestão privada em espaços culturais e de convivência coletiva.
O fim de abril também já trouxe o cheirinho de festa junina para São José dos Campos com o início do Arraiá do Frederico, destacado pelo G1 Vale do Paraíba. Entre comidas típicas, música e programação cultural, o evento ajuda a marcar a chegada dessa época do ano que segue ocupando um espaço importante na cultura popular e nos encontros da cidade.
Mas abril também foi marcado por denúncias e tensões envolvendo a execução de políticas culturais locais. O Núcleo Abantesma tornou públicas denúncias relacionadas ao projeto COSMOS: CORPO-RIO EM CRUZO e à pesquisa Corpos Dissidentes na Arte Joseense, aprovados pelo Fundo Municipal de Cultura. Entre os apontamentos estão alegações de inconsistências na avaliação dos projetos, dificuldades administrativas durante a habilitação e problemas na comunicação institucional durante a execução das atividades. O grupo também denuncia episódios que classificam como violência institucional e transfobia.
A Revista IP acompanha o caso e está apurando novas informações sobre a situação envolvendo Mandú, o Núcleo Abantesma e os desdobramentos relacionados ao Fundo Municipal de Cultura. Novos conteúdos sobre o tema serão publicados em breve.
No último mês, a revista passou a contar com uma nova coluna assinada por Victoria Ferreira D’Almeida e Gilberto Marques, que propõem leituras da arte brasileira a partir da visualidade, da memória e das relações entre imagem e contexto.
A estreia trouxe como ponto de partida a trajetória de Lygia Pape, artista fundamental para compreender os desdobramentos da arte no Brasil ao longo do século XX. Mais do que um resgate histórico, o texto evidencia como determinadas produções seguem atravessando o presente — seja na forma como percebemos o espaço, seja na maneira como nos relacionamos com o cotidiano. A leitura completa está disponível aqui.
Além disso, abril também foi marcado pela publicação da crônica de Alan Guedes no Substack da revista. Em “O imorrível e a fundação que insiste”, o autor estabelece um paralelo entre a trajetória de Di Melo e os 40 anos da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, refletindo sobre permanência, apagamentos e o papel das instituições culturais na cidade. A crônica pode ser lida aqui.
A chegada da nova coluna e a publicação da crônica indicam um avanço na construção editorial da revista.
Mas esse movimento não se limita ao conteúdo publicado. A Revista IP vem se consolidando como um espaço aberto para a cultura da cidade. Um lugar onde diferentes vozes podem circular, compartilhar produções, ideias e pontos de vista. Hoje, esse espaço já se materializa em diferentes frentes: na playlist no Spotify que reúne bandas do Vale do Paraíba, nos textos de convidados publicados na revista, na divulgação de livros e também na abertura para eventos cadastrados diretamente em nosso site.
A proposta, a partir de agora, é ampliar ainda mais essa participação coletiva.
A revista funciona como um microfone aberto: um espaço onde artistas, produtores, pesquisadores e público podem apresentar seus trabalhos, suas leituras e suas experiências com a cultura em São José dos Campos. A ideia é construir a cena cultural da cidade junto com quem faz parte dela.
Esse movimento dialoga diretamente com o momento atual, em que pensar cultura exige compreender disputas simbólicas e os contextos que moldam a produção artística, especialmente em territórios fora dos espaços hegemônicos.
Em maio, a proposta segue nesse caminho: continuar acompanhando a cena cultural, mas também abrir espaço para reflexão, memória, análise crítica e participação.
Se você produz, pesquisa ou acompanha cultura no Vale do Paraíba, este espaço também é seu.
Para participar, basta entrar em contato com a Revista IP: seja pelo direct, e-mail ou WhatsApp.
Esse movimento coletivo também passa por quem acompanha e sustenta o projeto. A Revista IP está com um novo formato de apoio no Apoia.se, que amplia as formas de contribuição e fortalece a continuidade da revista:
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Abraços Culturais,
Renata Guarino,
Editora da Revista Ip


